UFN realiza congresso sobre o diálogo entre ciência e fé diante da emergência climática

Por: Vinícius Miranda
(Comissão de Comunicação da SBCC)

A Universidade Franciscana (UFN), em Santa Maria (RS), sediou, nos dias 22 e 23 de outubro, o I Congresso da Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC) da Região Sul. Com o tema “Humanismo solidário na emergência climática”, o evento reuniu professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação para discutir os desafios ambientais contemporâneos a partir do diálogo entre ciência, fé, ética e responsabilidade socioambiental.

Durante os dois dias, a programação contemplou conferências, mesas temáticas e apresentações de trabalhos científicos, promovendo reflexões interdisciplinares sobre ecoteologia, bioética, inteligência artificial e os 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani. As discussões destacaram a necessidade de integrar o conhecimento científico aos valores humanistas e ao compromisso com a dignidade humana e o bem comum.

Para Márcio Cenci, coordenador do Instituto Franciscano e membro da SBCC, o congresso evidenciou a possibilidade de estabelecer uma relação fecunda entre a investigação científica e a vivência da fé. Já o professor Cristiano Bohn Rhoden, da UFN e coordenador do evento, ressaltou que a iniciativa buscou aproximar a comunidade acadêmica da Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos, ampliando os espaços de diálogo entre universidade e religião.

A SBCC reúne professores, pesquisadores e pós-graduandos que defendem a aproximação entre fé e razão no exercício da atividade acadêmica e profissional. Inspirada na Doutrina Social da Igreja, a entidade tem como referência o humanismo solidário, com atenção à dignidade da pessoa humana e à construção do bem comum.

Ecoteologia e o compromisso com a Casa Comum

A conferência de abertura foi conduzida por Reinaldo Lucena, professor, biólogo e teólogo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que abordou o tema “Ecoteologia e seus desafios”. A exposição destacou as contribuições da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, para a compreensão da crise climática e para a construção de uma relação responsável entre humanidade e meio ambiente.

O conferencista apresentou a ecologia integral como uma perspectiva que articula as dimensões ambientais, sociais, culturais, econômicas e espirituais da realidade. Também enfatizou a importância de incorporar essa abordagem às práticas universitárias, por meio de iniciativas sustentáveis, da utilização de energias renováveis, do reaproveitamento da água e da formação de estudantes conscientes de sua responsabilidade socioambiental.

Lucena ressaltou, ainda, que os problemas ambientais ultrapassam fronteiras geográficas e exigem respostas coletivas, considerando a interdependência entre as diferentes regiões e realidades sociais.

Programação interdisciplinar reúne pesquisadores e especialistas

O primeiro dia do congresso também contou com uma edição do Fé & Café, espaço de diálogo sobre fé, arte, arquitetura e contemplação. Participaram Bianca Munaretto, da Arquidiocese de Santa Maria; Raquel Tonini Rosenberg Schneider, vinculada ao Espaço Litúrgico da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); e Thaís Scotti do Canto Dorow, professora da UFN.

A programação incluiu apresentações de pôsteres científicos e a conferência “Bioética e humanismo solidário”, ministrada por Diego Carlos Zanella, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens da Universidade Franciscana.

Na sexta-feira, os debates abordaram os 400 anos de evangelização relacionados às Missões Jesuítico-Guarani, em exposição do padre Leonardo Envall Diekmann, da Diocese de Santo Ângelo. Na sequência, Rodrigo Clemente, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), discutiu os desafios e as implicações da Inteligência Artificial à luz do humanismo solidário.

No período da tarde, o cardeal Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, participou de forma on-line com a conferência “A responsabilidade do cientista católico”. Também foi realizada uma mesa temática sobre humanismo solidário e emergência climática, com a participação de Patrícia Espíndola Teixeira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Nathalie Boianski, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); e João Hélio Pes, da UFN.

Universidade e formação para o humanismo solidário

A conferência de encerramento foi ministrada por Dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo metropolitano de Santa Maria e chanceler da Universidade Franciscana, com o tema “A universidade e o humanismo solidário”.

Em sua exposição, Dom Leomar destacou o papel das instituições de ensino superior na formação integral das pessoas, ressaltando que a educação universitária deve ir além da preparação técnica e profissional. Para ele, o conhecimento precisa estar associado à responsabilidade ética, à solidariedade e ao compromisso com a dignidade humana.

O arcebispo também chamou a atenção para os riscos da fragmentação do conhecimento e para os mecanismos de exclusão presentes na sociedade. Nesse cenário, a universidade foi apresentada como espaço privilegiado para integrar diferentes áreas do saber, estimular o pensamento crítico e promover uma formação fundamentada em valores humanistas.

Ao concluir o congresso, as reflexões reafirmaram a importância de aproximar ciência e fé na busca de respostas aos desafios contemporâneos. Diante da emergência climática, o humanismo solidário foi apresentado como um caminho para articular conhecimento científico, responsabilidade ética, cuidado com a Casa Comum e compromisso com o bem comum.

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